Artigo Profissional

Recebeu um Pix “por engano”? Cuidado: você pode estar diante do Golpe do Pix Surpresa.

Você recebe uma notificação no celular e percebe que uma quantia foi transferida para a sua conta por meio do Pix. Pouco tempo depois, alguém entra em contato dizendo que enviou o dinheiro por engano e pede que você faça a devolução.

À primeira vista, parece uma situação simples: uma pessoa errou a chave Pix e você apenas precisa devolver o valor. O problema é que essa situação pode fazer parte de um golpe cada vez mais sofisticado, conhecido como golpe do Pix surpresa ou golpe do Pix errado.

Com isso, a vítima pode acabar perdendo o dinheiro que transferiu voluntariamente e ainda ter o valor originalmente recebido bloqueado ou devolvido pelo banco. A Dra. Maria explica como esse golpe funciona, quais cuidados devem ser tomados e o que fazer caso você seja vítima.

Como funciona o golpe do Pix surpresa?

O golpe geralmente segue uma sequência parecida:

  1. O criminoso envia um Pix para a conta da vítima.
  2. Em seguida, entra em contato por telefone, WhatsApp ou mensagem.
  3. Afirma que houve um erro e solicita a devolução do valor.
  4. Em vez de pedir que a vítima utilize a função oficial de devolução do próprio Pix, orienta que ela faça uma nova transferência para outra chave ou conta.
  5. Depois que recebe o segundo valor, o criminoso aciona o MED em relação ao Pix original.
  6. O banco analisa a reclamação e pode bloquear ou devolver o valor da primeira transação.
 

O resultado pode ser uma situação extremamente prejudicial: o golpista recebe o dinheiro devolvido pela vítima e ainda tenta recuperar o valor que havia enviado inicialmente.

Por isso, a fraude é considerada uma forma de obter dinheiro utilizando os próprios mecanismos de segurança do sistema bancário.

O que é MED?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é uma ferramenta criada pelo Banco Central para facilitar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix.

Quando uma pessoa afirma ter sido vítima de um golpe, o banco pode registrar uma notificação de infração e iniciar o procedimento de análise. Os recursos disponíveis na conta recebedora podem ser bloqueados cautelarmente, enquanto as instituições financeiras verificam a ocorrência.

De acordo com o Banco Central, o caso é analisado pelas instituições envolvidas. Se a fraude for confirmada, a devolução poderá ocorrer integral ou parcialmente, dependendo da existência de recursos na conta do fraudador ou em outras contas relacionadas ao caminho do dinheiro.

O MED, porém, não é uma ferramenta que permite ao usuário retirar automaticamente dinheiro de qualquer pessoa. Existe um procedimento de análise, e a devolução depende da constatação de fraude e da disponibilidade de recursos.

Ainda assim, criminosos podem tentar explorar o mecanismo por meio de narrativas falsas ou manipulando a sequência das transações.

Por que fazer um novo Pix pode ser perigoso?

Esse é o principal alerta do Banco Central.

Se você recebeu um Pix por engano, a forma correta de devolver o dinheiro é acessar, no aplicativo do banco, a própria transação recebida e selecionar a opção “Devolver Pix” ou funcionalidade equivalente.

Essa operação faz com que o dinheiro retorne à conta de origem.

O que deve ser evitado é realizar um novo Pix para uma chave fornecida pela pessoa que entrou em contato, principalmente quando a conta indicada é diferente daquela que efetivamente enviou o valor.

O Banco Central orienta expressamente que a devolução seja feita pela funcionalidade própria da transação, justamente para evitar que a vítima tenha de devolver o valor duas vezes.

Exemplo prático:

Imagine que você receba R$ 800 de uma conta chamada “João”.

Logo depois, uma pessoa diz que enviou o dinheiro por engano, mas pede que você devolva os R$ 800 para uma chave Pix pertencente a “Maria”.

Nesse caso, o cuidado deve ser redobrado.

Se o valor realmente estiver no seu extrato, o correto é abrir a transação original e utilizar a função oficial de devolução. Assim, o dinheiro volta para a mesma conta que realizou o pagamento.

Se você fizer um novo Pix para “Maria”, poderá ocorrer o seguinte:

  • você envia R$ 800 para a conta indicada pelo criminoso;
  • o golpista recebe o valor;
  • ele contesta o Pix original de R$ 800;
  • o banco pode devolver o Pix original para ele, caso a fraude seja reconhecida;
  • você fica com um prejuízo de R$ 800.

Você merece a melhor assessoria

Escritório em pouso alegre – mG

Recebi um Pix que não reconheço. O que devo fazer?

Se você realmente recebeu um valor inesperado, siga estes passos:

1. Confira o extrato bancário

Não confie apenas em mensagens, imagens ou comprovantes enviados por terceiros.

Abra o aplicativo do seu banco e confirme:

  • se o Pix foi efetivamente recebido;
  • o valor;
  • a data e o horário;
  • o nome do pagador;
  • a instituição de origem;
  • o identificador da transação, quando disponível.
 

2. Não faça uma nova transferência

Evite devolver o dinheiro por meio de um novo Pix, especialmente para uma chave diferente da origem.

 

3. Utilize a função oficial de devolução

Acesse a transação recebida e selecione a opção de devolução disponibilizada pelo banco.

Essa é a forma mais segura porque o valor retorna à conta que originalmente realizou o pagamento.

 

4. Entre em contato com o banco

Se houver qualquer dúvida, procure os canais oficiais da instituição financeira. Não utilize links enviados pelo suposto pagador.

 

5. Guarde todas as provas

Salve:

  • conversas;
  • números de telefone;
  • comprovantes;
  • dados das contas envolvidas;
  • capturas de tela;
  • registros de chamadas;
  • extratos;
  • protocolos de atendimento.
 

Esses documentos podem ser importantes caso o banco bloqueie o valor ou surja uma contestação.

E se eu já tiver feito um novo Pix para o golpista?

Se você já realizou uma nova transferência, entre em contato imediatamente com o seu banco e informe que foi vítima de golpe.

Solicite:

  • o registro da ocorrência;
  • a abertura de contestação;
  • a instauração do MED, quando cabível;
  • o bloqueio cautelar dos valores, se ainda houver recursos;
  • o fornecimento do número de protocolo;
  • a preservação dos registros da transação.
 

Também é recomendável registrar um Boletim de Ocorrência, reunindo todos os documentos disponíveis.

O Banco Central orienta que a vítima comunique o banco o mais rapidamente possível e, paralelamente, registre a ocorrência policial.

Principais dúvidas sobre o golpe do Pix surpresa

Recebi um Pix por engano. Sou obrigado a devolver?

Se o valor foi recebido indevidamente, ele não deve ser apropriado. Porém, a devolução deve ser feita com segurança, preferencialmente pela função própria de devolução da transação no aplicativo bancário.

 

Posso devolver o dinheiro para outra chave Pix?

Não é recomendável. O correto é devolver pela própria transação, para que o valor retorne à conta de origem.

 

O comprovante enviado pelo WhatsApp é suficiente?

Não. É necessário verificar se o dinheiro realmente entrou na sua conta.

 

O MED pode ser usado contra mim?

O MED pode ser acionado em uma contestação de fraude, mas a instituição financeira deve analisar o caso. Se você foi vítima de uma fraude envolvendo um Pix recebido e uma segunda transferência, é importante apresentar imediatamente todas as provas.

 

O banco pode devolver o Pix original ao suposto golpista?

Se a fraude for reconhecida no procedimento do MED, o valor originalmente transferido pode ser devolvido, integral ou parcialmente, conforme as regras e a disponibilidade de recursos. Por isso, a vítima deve demonstrar que a segunda transferência ocorreu em razão da fraude.

 

O que devo fazer se já caí no golpe?

Entre imediatamente em contato com o banco, solicite a contestação e a abertura do MED, registre Boletim de Ocorrência e preserve todas as provas.

 

O banco é sempre responsável pelo prejuízo?

Não. A responsabilidade depende da análise concreta do caso, da existência de falha na prestação do serviço e das circunstâncias da fraude.

 

A principal orientação é: não faça um novo Pix para devolver um valor recebido

O golpe do Pix surpresa mostra como os criminosos podem explorar a confiança das pessoas e até mecanismos criados para aumentar a segurança do sistema financeiro.

Por isso, diante de um Pix inesperado, a orientação é simples:

Confira o extrato, não clique em links, não forneça dados pessoais e nunca faça uma nova transferência para devolver o valor. Utilize a função oficial de devolução da própria transação.

Se você já realizou uma transferência e percebeu que pode ter sido vítima de golpe, procure o banco imediatamente, solicite o registro da ocorrência e reúna todos os documentos.

A informação e a rapidez na comunicação podem fazer diferença na tentativa de preservar os valores e esclarecer a verdadeira dinâmica da fraude.

CNPJ nº 60.615.458/0001-87
Escritório localizado em Pouso Alegre - MG
Inscrição Escritório junto à OAB MG nº 19.581

Informações de contato

Telefone: (35) 99955-3122
Email: mmassociados.mg@gmail.com

© 2024 Marini & Martins

Criado por: G2 Corporation